O meu blog saiu dos favoritos. Sem me perguntar ou pedir autorização, saiu como alguém indolente que vira costas depois de uma discussão. Só que, neste caso, não houve palavras duras. Foi uma conversa feita de silêncios entre quem se empoeira num qualquer canto imaginário e alguém que, talvez com tempo a mais, se esquece de aproveitar os pedacinhos de fugida em que cá vinha contar histórias. Quase não conto histórias. Tornei-me, eu própria, enredo de novela com dobragens imperceptíveis, das más. E enquanto ouço uma língua e outra, vejo um caminho feito de nada e fico sem perceber que conversas são aquelas ou que sentido é que aquilo tem. Também eu saí dos meus favoritos. E, até voltar, a única certeza que tenho, porque se mais nenhuma houver, é de que, para já, não tenho certezas nenhumas.
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Hallelujah
Às vezes Falhas e Demoras e És UmGandaParvo, mas a Tua intervenção é divina. Valha o que valer, será sempre divina.
sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Saí de mão dada com a minha mãe num laço eterno que transmite emoções: ela puxava-me para cima com olhares de muita força, eu agradecia a coragem que ela tinha, mais do que eu, e equilibrava-me nuns quaisquer sapatos que não recordo agora. Afastei-me de mão a acenar e despedi-me. Às vezes fecho as emoções a sete chaves para me aguentar, mas nem sempre dá resultado. Quando explode fico sem chaves e sem fechadura, vai tudo pelo ar até desaparecer da vista. Menos mal. Percebi mais tarde que a mão que usava para acenar de sorriso aberto era a mesma que me fazia limpar as lágrimas que caiam inevitavelmente sempre que corria até à estação numa partida dura contra o tempo, contra a vontade de que os relógios parassem para poder ficar ali: imóvel, intacta, sem pressa, sem ter de partir. Essa é, infelizmente, luta que poderei ter de travar muitas vezes mas, certamente, batalha ou guerra que nunca vou ganhar, ainda que amplie o meu arsenal e esteja munida de protecções. Afinal, não há protecção visível, e diria mesmo invisível, para a saudade. Não há. Logo, é derrota na certa.
Passava três horas sufocada, entalada, de voz e corpo embargado. E quantas e quantas vezes lutei na mesma guerra. Às vezes de buraco no peito, já quase sem forças, às vezes perdida, às vezes a achar-me gente grande e outras, não muitas, sabia-me a cumprir mais do que um sonho, uma realidade, uma necessidade, daquelas coisas que já se sabe que vamos fazer quando começamos a conhecer-nos por dentro. E isso dá-nos uma força imbatível. Porque parece que já tem de ser.
Lisboa de luz, de movimento, de pessoas, de calor, de origens, de ideais, de cheiros, de cores, de sons, de destinos, Lisboa que entra pelo espírito adentro, Lisboa de história, tradição, Lisboa que me foi pedaço de mundo e pedaço de futuro. Ali. Sozinha. Sem medo. Sem vergar.
Li, no outro dia, que a pior viagem é aquela que se faz quando se sabe, desde início, que não se volta mais. Por isso, numa longa caminhada e nos muitos dias em que me fartava de ouvir o som dos carris, qual aproximar ou afastar do ponto de partida, este foi só um dos meus Adeus. Porque eu vivi um entrelaçar de despedidas. Daquelas em que voltamos sempre... e daquelas em que voltamos nunca. Quase que podia dizer que tenho todos os dias gravados. Na memória, no coração. Porque um Adeus nunca se esquece. Sobretudo o teu. Que não o tive. Porque te passou ao lado. De buraco no peito passei, não poucas vezes, a buraco de pessoa. É feio. Foi triste.
E cresci. Vi pessoas, vi ideias, vi profissionais, vi jornalismo, vi trabalho, vi câmaras, vi televisões, vi-me, ouvi-me, vi ideais, vi cromos, acho que vi de tudo e, entretanto, acho que vi amigos. E, com certeza, vi-me a aprender. Aliás, vivi.
E de tanto que fiz, de tanto que vi, de tanto que aprendi, de tanto que gostei, de tanto que conheci e de tanto que me custou, despedi-me, distraída, com um "até amanhã". E apesar de sentir alívio pela tarefa cumprida, voltei a ficar apertadinha, apertadinha, de garganta a sufocar outra vez, de olhos a brilhar e com a sensação de que deixei um pedacinho para trás que é meu, que tenho de encontrar. Parece que, quando voltamos, a casa mudou, o quarto mudou, o que era nosso mudou e, na verdade, a única coisa que mudou fomos nós.
Lisboa de luz, de movimento, de pessoas, de calor, de origens, de ideais, de cheiros, de cores, de sons, de destinos, Lisboa que entra pelo espírito adentro, Lisboa de história, tradição, Lisboa que me foi pedaço de mundo e pedaço de futuro. Ali. Sozinha. Sem medo. Sem vergar.
Li, no outro dia, que a pior viagem é aquela que se faz quando se sabe, desde início, que não se volta mais. Por isso, numa longa caminhada e nos muitos dias em que me fartava de ouvir o som dos carris, qual aproximar ou afastar do ponto de partida, este foi só um dos meus Adeus. Porque eu vivi um entrelaçar de despedidas. Daquelas em que voltamos sempre... e daquelas em que voltamos nunca. Quase que podia dizer que tenho todos os dias gravados. Na memória, no coração. Porque um Adeus nunca se esquece. Sobretudo o teu. Que não o tive. Porque te passou ao lado. De buraco no peito passei, não poucas vezes, a buraco de pessoa. É feio. Foi triste.
E cresci. Vi pessoas, vi ideias, vi profissionais, vi jornalismo, vi trabalho, vi câmaras, vi televisões, vi-me, ouvi-me, vi ideais, vi cromos, acho que vi de tudo e, entretanto, acho que vi amigos. E, com certeza, vi-me a aprender. Aliás, vivi.
E de tanto que fiz, de tanto que vi, de tanto que aprendi, de tanto que gostei, de tanto que conheci e de tanto que me custou, despedi-me, distraída, com um "até amanhã". E apesar de sentir alívio pela tarefa cumprida, voltei a ficar apertadinha, apertadinha, de garganta a sufocar outra vez, de olhos a brilhar e com a sensação de que deixei um pedacinho para trás que é meu, que tenho de encontrar. Parece que, quando voltamos, a casa mudou, o quarto mudou, o que era nosso mudou e, na verdade, a única coisa que mudou fomos nós.
E seria impossível dar um título a isto, porque seria resumir tudo e tanto a uma só palavra. Mas enfim, foi o início da minha viagem pelos pedacinhos do mundo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
